Aquilo é tudo tão normal. Me acostumei com os olhos vermelhos, sem esperança.
Faz tempo que não saio pra simplesmente olhar pra lados eventualmente corriqueiros, mas com belezas ímpares. Eles dizem.
Andar de cabeça baixa toma tempo demais de vida e o chão não tem tanta coisa interessante (exceto quando você acha uma nota de 50 reais). Mas e daí? Escapar dos olhares alheios é uma boa maneira de não ter que me preocupar em agradar a ninguém.
A janela só fecha o vento da noite pra não pegar um resfriado debaixo do meu velho cobertor empoeirado. Não me lembro da última vez que a abri com vontade de sentir o calor do sol no rosto.
Falar? Pouco. somente o necessário pra ser entendido, pra viver em sociedade e fazer o solicitado pelo dinheiro que sustenta minha mediocridade humana.
Não quero ver televisão. Amenidades programadas pra insultar o intelecto e influenciar a banalidade capitalista dos pobres seres ludibriados pelo anseio consumista. Uma confortável ilusão.
Não preciso abrir a boca pra comprar comida. Só preciso ter dinheiro e acenar que não com a cabeça sobre o troco em balas oferecido.
Ok, confesso. Às vezes como frango aos domingos com meus pais e participo das ceias de natal. Conveniências de família.
Não vou a lanchonetes, pizzarias, shoppings, cinemas. Pra quê? Com que sentido? Pra ver pessoas que vão chegar felizes em casa, tomar um banho, beijar a pessoa que amam, darem risadas e irem dormir satisfeitos com o seu mundinho perfeito? Tenho um bom travesseiro. me contento com isto.
Não tenho carro. Não quis comprar. Posso pegar um ônibus pra qualquer lugar e sei que não vou conhecer ninguém ali. Sem preocupação com convenções.
Dispenso os amigos pra não me decepcionar. Me privo dos relacionamentos com o sexo oposto pra não me preocupar ou me zangar por motivos fúteis.
Não penso em morrer e que a vida não tem sentido. Apenas minimizo a minha para fazer o que quero, do meu jeito, no meu mundo.
Alías, eu nem escrevi isto. Não faço questão de compartilhar meu cotidiano preto e branco com ninguém no mundo.
Com certeza isso deve ter sido obra de um idiota qualquer por aí que se acha com o dom das palavras pra criar uma inutilidade versada e postar nestas baboseiras de internet que todo babaca que se julga moderno costuma ter.
Eu vou dormir. Deixa o bobo alegre escritor continuar aí.
Aposto que ele deve estar sorrindo e feliz de ter colocado mais um textinho besta na coleção dele.