Um alterego à revelia

22 22UTC Outubro 22UTC 2009 por aderfilho

Aquilo é tudo tão normal. Me acostumei com os olhos vermelhos, sem esperança.

Faz tempo que não saio pra simplesmente olhar pra lados eventualmente corriqueiros, mas com belezas ímpares. Eles dizem.

Andar de cabeça baixa toma tempo demais de vida e o chão não tem tanta coisa interessante (exceto quando você acha uma nota de 50 reais). Mas e daí? Escapar dos olhares alheios é uma boa maneira de não ter que me preocupar em agradar a ninguém.

A janela só fecha o vento da noite pra não pegar um resfriado debaixo do meu velho cobertor empoeirado. Não me lembro da última vez que a abri com vontade de sentir o calor do sol no rosto.

Falar? Pouco. somente o necessário pra ser entendido, pra viver em sociedade e fazer o solicitado pelo dinheiro que sustenta minha mediocridade humana.

Não quero ver televisão. Amenidades programadas pra insultar o intelecto e influenciar a banalidade capitalista dos pobres seres ludibriados pelo anseio consumista. Uma confortável ilusão.

Não preciso abrir a boca pra comprar comida. Só preciso ter dinheiro e acenar que não com a cabeça sobre o troco em balas oferecido.

Ok, confesso. Às vezes como frango aos domingos com meus pais e participo das ceias de natal. Conveniências de família.

Não vou a lanchonetes, pizzarias, shoppings, cinemas. Pra quê? Com que sentido? Pra ver pessoas que vão chegar felizes em casa, tomar um banho, beijar a pessoa que amam, darem risadas e irem dormir satisfeitos com o seu mundinho perfeito? Tenho um bom travesseiro. me contento com isto.

Não tenho carro. Não quis comprar. Posso pegar um ônibus pra qualquer lugar e sei que não vou conhecer ninguém ali. Sem preocupação com convenções.

Dispenso os amigos pra não me decepcionar. Me privo dos relacionamentos com o sexo oposto pra não me preocupar ou me zangar por motivos fúteis.

Não penso em morrer e que a vida não tem sentido. Apenas minimizo a minha para fazer o que quero, do meu jeito, no meu mundo.

Alías, eu nem escrevi isto. Não faço questão de compartilhar meu cotidiano preto e branco com ninguém no mundo.

Com certeza isso deve ter sido obra de um idiota qualquer por aí que se acha com o dom das palavras pra criar uma inutilidade versada e postar nestas baboseiras de internet que todo babaca que se julga moderno costuma ter.

Eu vou dormir. Deixa o bobo alegre escritor continuar aí.

Aposto que ele deve estar sorrindo e feliz de ter colocado mais um textinho besta na coleção dele.

O que vc faria?

1 01UTC Outubro 01UTC 2009 por aderfilho

O que vc faria se descobrisse que eu sou de outro mundo?

Se depois de tanto tempo, compartilhando situações juntos, dividindo alegrias e lágrimas, tudo fosse, de certa forma, um subterfúgio de fuga para a minha verdadeira face?

O que te levaria a me odiar, a ponto de todos os segundos que vc dispensou ao meu lado fossem considerados por vc como inúteis? Odiosos e detestáveis?

Será que todas as palavras que um dia te falei, não importa pra que assunto ou momento, seriam desconsideradas?

Vc teria vontade de se lembrar ao menos das feições do meu rosto?

Acreditaria que todas as sensações humanas que compartilhei contigo foram verdadeiras?

Meu alô a um telefonema triste no meio da noite somente pra conversar seria levado em conta?

Olharia meus olhos da mesma maneira?

Iria ao cinema comigo e pegaria na minha mão sem medo?

Vc se sentiria traída?

Ainda se sentiria amada?

O que vc faria se descobrisse que eu sou de outro mundo?

O que vc faria se eu fosse um anjo?

Tantas possibilidades

27 27UTC Setembro 27UTC 2009 por aderfilho

Vivo num mundo enorme!

São bilhões de pessoas, vários lugares, vidas, conceitos, percepções, profissões, momentos, escolas, carros, cidades, pessoas… muito tudo!

Nasci, cresci, fui pra escola. Estudei Protuguês, Matemática, Ciências, Geografia, História por vários anos.

Sigo minha religião. Em parte por influência dos meus pais e em parte pela minha própria crença.

Fui atrás de emprego. Por vezes os que me agradavam, por outras, pela minha necessidade de dinheiro.

Conheci garotas, paquerei, namorei, transei, dei foras, levei foras, fiz amigos.

Comprei o carro que eu mais gostei da loja. Também comprei aquele que a minha atual situação me permitia, pra não ficar a pé. Mas também peguei muito ônibus e táxi.

Viajei! Conheci lugares maravilhosos. Tirei fotos, comi comidas diferentes, pisei em areia, tijolo, paralelepípedos de uma variedade de lugares.

Fui a bares, boates, restaurantes, cinema, estádio de futebol, shoppings e teatros. Vi muita coisa boa.

Ri com meus amigos, briguei com outros, fiz novos, perdi antigos. Amizade é sempre bom. Ela faz a gente se lembrar de quem somos e de que precisamos sempre melhorar, pois nunca estaremos completamente certos, nem completamente errados.

Almocei com a minha família, almocei com meu chefe, jantei com o meu primo, fiz um lanche rápido com uma paquera que nem me lembro mais o nome, mas adorava seus cabelos ruivos.

Hoje eu vou sair. Amanhã vou ficar em casa. Depois de amanhã, quem sabe?

Eu poderia fazer esse texto gigante, expor tanta coisa pela qual já passei, pra no final, simplesmente chegar a uma conclusão.

Com tantas possibilidades nesse mundo, eu ainda me surpreendo em como você me fez querer somente uma coisa: você.

Requiem de um amor proibido

27 27UTC Setembro 27UTC 2009 por aderfilho

Melanie Shafford conheceu Malik Aheem na faculdade. Estudavam História.

Ela sabia de sua origem e de todo o preconceito que existia pelo seu povo contra o povo dele.

Mas ele era inteligente, extremamente charmoso e muito culto, além de ter um sorriso que a fazia ficar tonta.

Sentou ao lado dele em todas as aulas possíveis e foram se conhecendo aos poucos, mas sem nunca deixar os limites da faculdade.

Um dia combinaram de sair. Uma lanchonete no centro da cidade, sempre bem frequentada e com um ótimo cardápio.

Ela não se aguentava de felicidade. Tomou um banho, escolheu sua roupa mais bonita, maquiou-se, perfumou-se e saiu de casa acreditando que aquele seria o dia mais feliz de sua vida.

Eles se encontraram na porta da lanchonete e entraram para se sentar.

Ela tinha inúmeras coisas pra contar, inúmeros sonhos pra sonhar e compartilhar, olhares e sorrisos infinitos pra distribuir aquela tarde inteira.

Ele, tinha uma mochila com 5 kg de explosivos…

A começar…

27 27UTC Setembro 27UTC 2009 por aderfilho

Não tenho a mínima ideia de como isso funciona mas vou aprender.

Um dos motivos de nunca ter criado um blog antes é que odeio essa coisa de se sentir na obrigação de atualizar isso aqui.

Já vi mta gente falando: “Ai, preciso atualizar meu blog”, “Ui, preciso fazer um texto novo” e besteiras do tipo.

Eu tenho pra mim que isso aqui precisa ser um lugar de total liberdade. Não venho por obrigação, venho por prazer, ou mesmo por aflição, de não conseguir mais segurar coisas que rodam na minha cabeça e que acho que valem a pena ser expostos.

Talvez vc não goste do que eu venha a escrever, mas seu colega do lado pode gostar.

Tenha paciência.

Quem sabe uma hora não te agrado? 

Ou não…